Movimento Clean Beauty (beleza limpa) parte1

Existe uma tendência mundial relacionada a escolhas mais conscientes em relação à saúde e à redução de impactos causados no meio ambiente.

Os consumidores estão começando a rejeitar os cosméticos que contém alguns componentes tidos como prejudiciais à saúde, tais como parabenos, derivados de petróleo e sulfatos. Além disso, muitos consumidores não aceitam mais testes em animais.

Existe muita confusão sobre o entendimento dos termos usados e também o excesso de informações não validadas sobre o tema.

Como o ajuste de uma daquelas antigas balanças de prato, na qual, para encontrar o ponto de equilíbrio, acabamos sobrecarregando um dos lados, temos observado esse mesmo fenômeno ocorrer com a forte tendência de naturalização em todas as áreas de vida – tais como, alimentação, beleza, decoração, combustíveis, etc – indo com a mesma intensidade na direção contrária do surgimento dos modernos químicos/sintéticos.

Mas no desespero dessa reaproximação com a natureza, será que a percepção de que tudo que é natural é mais seguro, melhor e mais limpo, está correta?

O que é um cosmético limpo?

O conceito de Beleza Limpa independe e vai além das classificações ” Naturais”, “Orgânicos”, “Veganos” e ” Sintéticos”. Em tese, um cosmético limpo é aquele livre de ingredientes comprovadamente tóxicos ou potencialmente nocivos, passivos de causarem desequilíbrios orgânicos ou o desencadeamento de doenças a curto, médio e longo prazo.

O que é considerado natural ou limpo varia de pessoa para pessoa e de empresa para empresa. Casa empresa deve decidir qual definição de natural se encaixa na história de sua marca e nos estilo de suas formulações, já que não é oficialmente regulamentado por algum órgão legal (nacional ou internacionalmente), mas trata-se apenas de mais um diferencial de marketing passível de interpretação subjetiva por parte de cada empresa.

Desconstruindo mitos

Quando se fala em cosméticos naturais há um engano pois a maioria dos cosméticos não é natural. Isto ocorre porque a natureza simplesmente não produz os produtos químicos que funcionam para resolver os problemas que somente os cosméticos podem solucionar.

Para fazer cosméticos úteis você quase sempre precisa modificar quimicamente os ingredientes naturais. Estas modificações são permitidas dentro dos parâmetros de certificadoras como Ecocert, IBD, Cosmos. Estamos falando de processos como: extração, moagem, maceração, centrifugação, esterificação, decantação, mistura, destilação, entre outros.

Os ingredientes naturais são mais seguros?

A segurança de um ingrediente não tem nada a ver com ser natural ou não.

Certamente existem ingredientes naturais seguros, mas também existem ingredientes naturais que não oferecem segurança, como tudo na vida, isto é também muito relativo. Uma pessoa pode comer kiwi orgânico por exemplo e não saber que tem alergia a esta fruta, neste caso, a pessoa poderá ter consequências desagradáveis, a culpa é do kiwi?

É impossível saber se algum ingrediente pode causar algum dano para determinadas pessoas, por mais natural que seja, cada indivíduo reage de uma maneira diferente a certas substâncias.

Os cosméticos com ingredientes mais naturais podem fazer coisas incríveis para a pele e cabelos, mas saber quais usar faz toda a diferença.

Dependendo do ingrediente e de sua forma, ele pode fornecer antioxidantes, podem hidratar, acalmar, clarear, aumentar a firmeza e juventude da pele. Alguns são melhores em uma coisa do que outra, assim como os alimentos diferentes oferecem ao corpo diferentes benefícios à saúde.

Assim como nem todos os alimentos são bons para você, nem todos os ingredientes naturais em cosméticos serão também

Com isso, podemos concluir que o real conceito de Clean Beauty não se limita a uma oposição entre ingredientes naturais e sintéticos. O movimento Beleza Limpa vai além dessa dualidade, já que ingredientes sintéticos não são necessariamente tóxicos, assim como os naturais não são sempre seguros.

Substâncias naturais podem ser extraídas de maneira predatória, sem respeito ao ritmo da natureza ou aos animais, além de ainda gerar resíduos contaminados durante seu processamento, devastando e prejudicando muito o meio ambiente. Enquanto isso, muitas substâncias sintéticas são capazes de poupar espécies vegetais raras, preservar a vegetação natural e serem produzidas através de processos limpos, que não poluem a natureza.

O que garante segurança e eficácia não é excluir completamente um ou outro, mas sim formular com inteligência, escolhendo o que realmente funciona e é seguro, tudo isso baseado em avaliações criteriosas de estudos científicos sérios.

A importância maior é a segurança da fórmula de um produto e não a análise de cada um dos ingredientes separadamente, caso contrário, muitos cosméticos orgânicos seguros, excelentes e adorados pelo público seriam taxados como nocivos, já que possuem óleos essenciais, e conservantes naturais potencialmente irritantes.

O conceito Clean Beauty exclui o que é comprovadamente tóxico e prejudicial à saúde, não o que está de acordo com a interpretação subjetiva da filosofia e/ou marketing de cada marca, o resto é apenas uma escolha por uma filosofia ou estilo de vida.

Desmistificar, equilibrar e estudar são os fundamentos daqueles que realmente querem fazer diferente e se importam em continuar evoluindo e levar o bem ao consumidor, aos animais e ao meio ambiente.

Beleza Natural Inteligente!

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