Fragrâncias x Óleos essenciais

A ascensão do natural

Os consumidores estão cada vez mais exigindo produtos de beleza com ingredientes mais naturais porque soam saudáveis e seguros, e as fragrâncias não são uma exceção.

Com o aumento da população urbana e a crescente conscientização sobre a saúde holística, os consumidores procuram produtos que os ajudem a se sentir mais conectados a si mesmos e à natureza.

Há uma tendência para o uso de fragrâncias leves, percebidas como mais naturais e menos produtos químicos em todas as categorias de produtos. Os volumes de óleos essenciais utilizados em produtos de beleza e higiene pessoal ainda são muito inferiores aos volumes de fragrâncias sintéticas

Quando a ciência é apenas superficial.

É impossível não estar ciente do medo que existe em torno dos produtos químicos usados para fazer produtos. Também é impossível não ficar desanimado com a quantidade de informação errada que alimenta esses medos.

Paracelso tinha razão: “A diferença entre o remédio e o veneno é a dose.” Longe de ser mera coincidência, tais palavras também se aplicam ao uso de óleos essenciais e fragrâncias. A concentração destes ingredientes numa formulação é que determinam se o produto final é ou não seguro.

Natural mas nem sempre melhor

O uso de ingredientes naturais em formulações não significa necessariamente que o produto seja mais sustentável, ambientalmente correto ou tenha menos potencial alergênico, significa apenas que vem da natureza.

Fragrâncias

“Fragrância” não é um produto químico. As fragrâncias são compostas de muitos e diferentes ingredientes, muitos dos quais são totalmente naturais – óleos essenciais, especiarias, mel, manteiga, sucos, couro, ervas, frutas, folhas, etc. Fragrâncias totalmente naturais também podem conter substâncias químicas aromáticas que trazem uma ‘nota’ ou ‘aroma’ particular ao perfume. Estas substâncias podem vir de uma das duas fontes – naturalmente extraídas ou produzidas sinteticamente. Estes ingredientes sintéticos podem ser elaborados para serem idênticos à natureza ou não (isso geralmente tem a ver com o isômero criado).

As fragrâncias estão sendo condenadas em formulações por serem causadoras de alergias.

Vamos esclarecer isto: o potencial alergênico de um ingrediente depende das propriedades do ingrediente em si e de sua interação com outros ingredientes da formulação, e não da fonte do ingrediente (natural ou sintético).

O Regulamento Europeu de Cosméticos tem uma lista de potenciais alérgenos de fragrância e alguns deles são ingredientes naturais, É importante saber que todos os 28 alérgenos estão presentes também em óleos essenciais extraídos naturalmente.

Óleos essenciais

Os óleos essenciais contêm ingredientes aos quais algumas pessoas experimentam reações alérgicas. Se você é uma pessoa que reage a esses ingredientes, então você deve evitar os óleos essenciais em seus produtos. Veja os alérgenos mais comuns presentes em óleos essenciais:

citral, citronelol, coumarin, eugenol, geraniol, d-limonene, linalool entre vários outros, citamos apenas os mais comuns.

Mas a questão mais importante é se os óleos essenciais têm algum benefício adicional em cosméticos. Eles são usados ​​para criar fragrâncias e são bons para isso. Do ponto de vista da formulação, a única razão para colocar os óleos essenciais em uma fórmula (se não por razões de fragrância) é por razões de marketing. Para fazer isso, você cria uma loção padrão para a pele e depois coloca uma pequena quantidade de óleos essenciais na fórmula para que você possa divulgá-la na embalagem. Não terá efeito na fórmula, mas é atraente para os consumidores. Óleos essenciais usados ​​desta maneira são perfeitamente seguros, mas não necessariamente cumprem o seu papel terapêutico.

A finalidade do uso de fragrâncias nas formulações não é apenas para cobrir odores desagradáveis das bases cosméticas, pois não raro as fragrâncias atuam como anti-sépticos e conservantes garantindo as características e estabilidade do produto.

Como a maioria das certificações “orgânicas” e algumas “naturais” proibiram a “fragrância” como ingrediente, isso levou ao aumento do uso de óleos essenciais no lugar destas fragrâncias, o que, em si mesmo, não é uma coisa ruim, mas nas mãos erradas pode causar mais problemas e riscos do que uma fragrância bem formulada.

Como mencionado antes, óleos essenciais ainda contêm os produtos químicos irritantes e não são reguladas por ninguém (ao contrário de fragrâncias que vêm sob a IFRA auto-regulada que reportam à União Europeia como parte da Diretriz de Cosméticos.

Outra questão com o uso de óleos essenciais como fragrâncias é que alguns são reativos à luz solar e podem quebrar causando uma cascata de oxidação e estresse em uma formulação. Em alguns casos, isso leva à quebra do produto antes do final de sua vida útil e isso coloca os consumidores em risco de infecção bacteriana e produtos ineficazes.

Um último problema comum com alguns óleos essenciais é a sua capacidade de causar reações de sensibilização da pele na luz solar. Óleos cítricos são especialmente problemáticos e podem levar a danos na pele, pigmentação e irritação quando misturados com luz UV.

Cosméticos não são drogas. Na minha opinião eles também devem oferecer uma experiência agradável, e eu não vejo como um cosmético com um mau cheiro pode oferecer uma sensação agradável.

Em resumo, as fragrâncias podem não ser todas ruins e os óleos essenciais podem não ser todos bons (é a mesma coisa).

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